sexta-feira, 28 de outubro de 2016
terça-feira, 25 de outubro de 2016
domingo, 2 de outubro de 2016
=> Deus não desiste de você. Será?
"Não precisamos ir longe na análise da Bíblia para entendermos que a ideia de que Deus não pode desistir de nós é uma verdadeira falácia. Facilmente podemos entender que o Senhor pode, sim, abandonar quem lhe despreza.
Quando passamos a acreditar que Deus não desiste de nós, nossa consciência pode, paulatinamente, ser induzida a acreditar que não corremos o risco de perder a salvação.
Sendo assim, abre-se, diante de nós, um leque abrangente de possibilidades de transgressão dos mandamentos divinos. "
Quando passamos a acreditar que Deus não desiste de nós, nossa consciência pode, paulatinamente, ser induzida a acreditar que não corremos o risco de perder a salvação.
Sendo assim, abre-se, diante de nós, um leque abrangente de possibilidades de transgressão dos mandamentos divinos. "
Por
Jânsen
Leiros Jr.
Me perdoem decepcionar vocês, amigos, mas
esse texto é uma tremenda demonstração de legalismo, e de um conveniente
pensamento pragmático, muito pouco reflexivo, e de uma assustadora miopia
quanto ao amor de Deus e sua contextualização bíblica. Ele se utiliza de um
texto ambientado na dispensação da lei, e supõe que a punição à rejeição a
Deus, limita o seu amor, ou impõe finitude à sua misericórdia. Além disso, tenta
introduzir legalismo em ambiente de graça citando um texto em 1 Coríntios[1].
Legalistas adoram uma lei e um rigor a que eles mesmos não dão conta de seguir;
judaizantes. Estou farto de gente se prestando ao papel de guardião da verdade, como se a conhecesse incondicionalmente
e a detivesse.
O Novo Testamento está repleto de
demonstrações de que Deus não desiste de ninguém. E é claro que Ele teria
liberdade soberana para isso, mas não o faz. As parábolas da dracma perdida, da
ovelha perdida e do filho pródigo, encerram plena e perfeitamente esse traço do
amor infinito e incansável de Deus; amor que não se impõe, mas está sempre de
braços abertos a receber todo e qualquer arrependido, seja lá o momento em que
tal arrependimento acontecer, ou depois de quantos arrependimentos ocorrer. Até
setenta vezes sete, lembram-se? Não há limites para o amor, perdão e
reconciliação.
Aqui alguém poderá me interpelar,
sacando como pretenso argumento incontestável, o fato de que muita gente se diz arrependido,
mas que tal arrependimento nem é genuíno, e assim vivem se "arrependendo" da boca para fora,
achando que podem brincar com Deus. É claro que isso acontece aos milhões. Mas
tal atitude humana não invalida a imutabilidade do amor de Deus. Se alguém
pensa enganar Deus com atuações teatrais, sinto muito, Ele não se
relaciona com personagens. Mas por outro lado, tal comportamento humano não
provocará a finitude do amor de Deus, e muito menos provocar o seu cansaço em esperar
por quem quer que seja. E é claro que, se mesmo esse contumaz mentiroso,
encenador de arrependimento arrepender-se genuinamente, Deus que sonda os
corações e enxerga até onde não podemos enxergar, poderá e irá perdoá-lo. Seu
amor não tem fim; não pode negar-se a si mesmo. Deus é amor.
Na contramão do que o autor tenta passar como verdade insofismável, de que se Deus não desistisse de nós, abriria brecha para uma vida de pecado contumaz, Paulo, em sua carta aos Romanos, afirma que uma vez livres do pecado, fomos feitos servos da justiça. Servos aqui não é escravo no sentido de subjugado, mas de serviçal, no sentido de quem vive a serviço da justiça de Deus. Ora, em sua primeira carta, o chamado apóstolo do amor, João, afirma que os filhos de Deus não vivem pecando. E a razão disso é simples; não temos prazer nisso, porque pelo poder do Espirito Santo que habita em nós, passamos a viver realizando, preferível e prazerosamente a vontade de Deus, perseguindo a santidade, e buscando sempre agradar o coração de Deus. E mais; nós temos a mente de Cristo.
Há, na verdade, um perigoso hábito legalista diluído nessas afirmações; a de que precisamos criar certos terrorismos em nossa pregação, de modo a provocar a sensação de que não se pode brincar com Deus. É claro que não se brinca com Deus. E não só isso, mas tenho a certeza de que Ele conhece tais brincalhões. Mas isso não nos habilita a distorcer os atributos de seu amor, em favor de um discurso que tenta dar uma mãozinha a Deus, em sua presumida tarefa de admoestar as pessoas quanto aos rigores de sua lei, ou "limites" de sua paciência. Alguém considera imperfeito ou mesmo insuficiente o trabalho realizado pelo Espírito de Deus no convencimento do pecado, da justiça e do juízo? Ou não dizia Paulo que nem por força e nem por violência, mas pelo Espírito de Deus. Convencimento algum será maior ou mais genuíno, se dermos, por nossa conta, uma pitada de medo e terror.
O amor de Deus não desiste de ninguém. "Aquele que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora". Novamente é preciso lembrar que Deus sonda os corações. Ele conhece a sinceridade de todos os nossos atos; não se deixaria enganar por quem quer que fosse.
- Ah! Mas e se alguém se utilizar do infinito amor de Deus, e achar então que pode pecar à vontade, que depois é só se arrepender que estará tudo certo, perguntaria alguém. Ora, se alguém acha que pode fazer isso, primeiro, nunca conheceu Deus, seu amor ou mesmo a sua graça. Pois quem, sinceramente constrangido pelo amor de Deus e salvo por sua graça, pensaria aproveitar-se da graça para sua própria recreação? Outra vez, os filhos de Deus não vivem pecando. Não têm prazer no pecado. E segundo, ainda que alguém se pretenda a isso, ainda assim o amor de Deus não se tornaria finito, apenas para impedir que seja usurpado por algum espertalhão. Nesse caso ele não terá perdão, não porque o amor de Deus tem limite, mas porque não se arrependeu genuinamente; mas a Deus pertence sondar e julgar tal coração, e então conceder ou não seu perdão.
O que mais me assusta nisso tudo, é a imaginação de que os imutáveis atributos de Deus podem ser manipulados em suas essências, amplitudes ou aplicações, conforme suposta necessidade de tornar mais contundente a pregação do evangelho, ou mais firme e segura a realidade de que sem fé é impossível agradar a Deus. Ora, ao fazermos isso não estamos alterando o conteúdo bíblico? Não estamos distorcendo a Palavra para atender nossas conveniências, por mais probas e bem-intencionadas pudessem parecer? Deus não muda o que é, para atender nossa necessidade de fazê-lo parecer com nossos impulsos humanos, ou para adequar-se a nossos pressupostos rigores muito mais adequados e firmes; há quem pense que Deus, na graça, ficou bonzinho demais com o pecador. - Ah! Se eu fosse Deus. Ou ainda. - Ah! Se Deus fosse como eu. A pregação do medo não opera o poder de Deus.
Por último, ainda se poderia perguntar: Mas não pode alguém achar que, já que temos a graça, podemos errar? Ora, para pensar isso é preciso achar que a graça compactua com o pecado. Pior. Quem assim entende, imagina que a lei é mais eficaz para colocar a humanidade na linha. E se alguém então pensa assim, faz-se igual aos judaizantes tão combatidos pelo apóstolo Paulo, e não entendeu até hoje o evangelho. Porque "ouviste o que foi dito... Eu porém vos digo". No conhecido Sermão da Montanha, Jesus desconstruiu a ideia da lei formal, que tinha ênfase na aparência, e implantou a ideia de que o essencial era muito mais importante, sendo tão mais condenador do que o aparente; a incompreensão de Nietzsche.
Portanto, mesmo que a graça seja ainda mais profunda e reveladora do coração humano, ela é a expressão do amor ilimitado de Deus, que acolherá e perdoará todo aquele que genuinamente se arrepender. E se alguém não se arrepender legitimamente, desse amor e dessa graça não se tornará participante. Simples assim. Aliás, simples como tudo no reino de Deus. Mas nós estamos sempre achando que podemos dar um toque pessoal e melhorar o que Deus já fez. Aliás, querer ser igual a Deus em possibilidades e julgamentos, sempre nos colocou em graves apuros.
domingo, 25 de setembro de 2016
Doação, sentido da vida
"16
Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos
dar a vida pelos irmãos. 17 Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe
fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus? 18 Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em
verdade.
1 João 3:16-18
Por Jânsen
Leiros Jr.
Não há como negar. Volta
e meia ao longo de nossa vida, por diversos motivos, somos levados a fazer-nos
uma íntima e inquietante pergunta: pra quê tudo isso? Seja diante de dificuldades
nos relacionamentos, seja diante das perdas materiais ou afetivas, ou ainda por
conta de insucessos profissionais ou financeiros, a busca por um sentido
que seja transcendente a todas as oscilações circunstanciais da vida, segue
como a meta mais legítima e ao mesmo tempo mais desafiadora para a alma humana.
Nesse encapelado mar de
ideias, impulsos e reações, um propósito para a vida funciona como uma âncora
que pode firmar-nos em conceitos e princípios inegociáveis, que nos impeçam de
vagar à deriva, jogados por tempestades de emoções imprevisíveis. Um sentido
para a vida define a rota, permitindo que saibamos o caminho, não obstante
qualquer desventura.
Quando falamos de sentido
para a vida, não falamos de objetivos, alvos ou metas. Essas coisas, obviamente
importantes, não são o sentido da vida. Todos queremos ser felizes. Todos
queremos vivenciar relacionamentos afetivos bem-sucedidos, ou ainda ter uma
vida tranquila. Esses alvos ou objetivos, como queiram chamar, são obviamente importantes
e louváveis, mas não são o propósito.
Analisando tais metas de
vida, quem pode dizer que estejam errados? Certamente qualquer um apreciará
quem elencar esses alvos como objetivos de vida, e como sendo o lugar
onde pretende chegar em sua caminhada. E isso é extremamente bem-vindo. Aliás,
o fato de possuirmos em quase a totalidade na humanidade os mesmos objetivos de
vida, por si só já os legitima como aceitáveis, probos e preferíveis.
Acontece que ter alvos
definidos diante dos olhos, não garante ao arqueiro que os irá atingir. É
preciso ter um sentido, um propósito. É preciso definir a estratégia, o modo de
ir até o seu destino. Ao arqueiro será necessário definir a trajetória da
flecha, assim como ao navegante ajustar a rota até o ponto de chegada. O
sentido da vida é o que determina como eu vou até onde eu quero chegar.
"
12
tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério,
para edificação do corpo de Cristo; 13 até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho
de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo;
14 para que não mais sejamos meninos,
inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência
dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; 15 antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça,
Cristo,
Efésios 4:12-15
Como cristãos que somos,
nossa meta primordial na vida é nos tornarmos iguais a Cristo; nosso alvo por
excelência. Mas é preciso ressaltar que para atingirmos esse objetivo, precisaremos
de propósitos firmes e transformações convincentes, que se farão o caminho que
nos levará ao destino tão pretendido; a imagem de Cristo em nós.
Ora, se Deus é amor,
logo o amor é sua forma de existir. Amar é a vida de Deus. E se a doação é a
forma invariável como realiza seu amor para com a humanidade[1],
a doação é a maneira com que a essência amorosa de Deus melhor se revela para nós.
Deus é um doador por excelência e a doação é o seu amor em ação. Deus
doa desde o princípio. Dando de si criou os céus, a terra e tudo o que neles há.
Doando de si mesmo formou tudo o que trouxe à existência.
Ao doar-nos tudo e
tantas coisas, o próprio Deus nos doou o próprio sentido da vida, elaborando um
propósito que se sustenta sobre tudo o que Ele mesmo nos deu. Foi assim que
ganhamos vida plena e vida em abundância[2].
A vida plena é aquela capaz de desenvolver todas as suas possibilidades em
todos as abrangências em que tal vida atua. A vida plena é uma vida que se
realiza. E essa realização é tanta, que sobeja, sobra, transborda. É uma vida
abundante porque não se cabe. E por não se caber se doa. Por isso doamos vida. Porque
a temos além do que podemos viver.
O Deus doador doou-nos também
o seu Espírito, e isso é extremamente revelador de sua vontade, e esta em relação
a um propósito de vida. Sim, porque Aquele que vivia nos céus e visitava
a humanidade conforme relatos do Antigo Testamento, e que durante o ministério
de Jesus esteve habitando entre nós, segundo os evangelhos, por seu Espírito
fez de nós sua morada, vivendo em nós. Ora, isso não pode significar outra
coisa senão que Deus vive através de nós. Não dissemos nós que ser pai é ter o
coração batendo fora do corpo, em outros corpos, nos corpos de nossos filhos? A
exemplo de Deus, doar de nós mesmos ao próximo é viver nele nossa vida
transbordante.
Entre outras tantas
coisas doadas por Deus à humanidade, está a sua Palavra, escrita e encarnada,
ensinando e instruindo, admoestando e provocando cada indivíduo a uma vida de
santidade e devoção por gratidão; Ele nos amou primeiro[3].
E por isso deu-nos sua Palavra encarnada, resgatadora e salvadora de todo
aquele que nela crê[4].
Não a compramos. Não demos nada em troca. Foi-nos tudo doado por amor; vida,
Palavra, salvação. Não vem de vós, diz o texto de Efésios, é dom de
Deus. Não vem dos homens para que ninguém se glorie[5].
Em Deus podemos viver
vida santa e reta, em total dedicação ao seu reino e devoção à sua glória. Nesse
propósito de vida encontramos satisfação e contentamento, pois n’Ele podemos
todas as coisas, inclusive passarmos pelas piores condições de existência[6].
Quando o sentido da vida descansa em tudo aquilo que Deus doou, vivemos
contentes porque não olhamos circunstâncias nem situações fugazes. Mesmo que vantajosas;
não me guio por vista dizia a canção. Grato a Deus pelas promessas que nos
orientam a uma relação íntima com Ele, sabemos que podemos dar sem medo; seu cuidado
nos sustenta e seu amor não falha. Fiel é Deus, em quem não há sombra de variação[7].
Nosso trabalho não é vão no Senhor[8].
Portanto, a doação é a
forma mais contundente e inegável de nos assemelharmos a Deus. Ao doarmos
replicamos a atitude divina de constante doação em amor. E se o propósito da
vida é chegar à sua imagem e semelhança, a doação é o grande sentido de nossas
vidas. Deus é doador, e importa que os verdadeiros adoradores vivam em espírito
de doação.
Veja também o artigo A vida pode ter sentido;
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