quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Je prie pour le Brasil


1 Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, 2 em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. 3 Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, 4 o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.”
                      1 Timóteo 2:1-4 – RA


1 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. 2 De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. 3 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, 4 visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. 5 É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. 6 Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. 7 Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.”
                      Romanos 13:1-7 – RA (ver também Jeremias 29:7)

É flagrante e crescente a onda de pessimismo que vem acometendo os diversos seguimentos da sociedade brasileira, quanto ao futuro próximo de nosso país. O noticiário vem acumulando fatos que têm estarrecido a população mais atenta aos rumos da nação. Mudanças de regras, inversões de prioridades, corrupção e instabilidade política, apontam para dias difíceis e conjunturas nada favoráveis a um transcurso tranqüilo e próspero da vida de nossa gente.

É claro que em circunstâncias como essas, os menos favorecidos, os pobres e os dependentes de amparo do Estado são sempre os mais prejudicados, ainda que pela falta de informação ou mesmo de formação, não sejam capazes de perceber o caminho nada promissor que a conjuntura sócio-econômica vem trilhando. Iludidos por paliativos que lhe mitigam as necessidades mais imediatas, são incapazes de enxergar que o futuro e o horizonte pode lhes estar sendo negados, à medida que as vigas para um amanhã consistente, oscilam afundadas em um lamaçal de negociatas de uma gestão confusa e de eficácia duvidosa.

Na outra ponta dessa corda, estão os presumidamente esclarecidos, que imaginam perceber as “ciladas” e “artimanhas” da atual administração pública, rebelando-se e multiplicando-se em críticas e acusações que oscilam entre infundadas e totalmente aceitáveis, demonstrando uma indignação latente e pulsante, mas que em contrapartida, admitem que o remédio, agora, terá mesmo que ser amargo, dada a extensão dos danos que a gestão doente sofreu. De prático, sobram críticas e dedos em riste, faltam idéias e soluções plausíveis, menos dolorosas para a maioria dos brasileiros. Falo maioria, porque obviamente há aquela parcela bem minoritária da sociedade, para quem as condições que o país atravessa, parece pouco incomodar ou mesmo em nada atingir suas vidas supostamente seguras e inatingíveis por questões menores e sem importância.

E nós cristãos, o que pensamos disso tudo? O que esperamos? Em quem acreditamos? Para qual lado torcemos ou tendemos? Somamos com os que acreditam que tudo o que tem aparecido na mídia é uma conspiração política para aplicar um golpe no governo legitimamente constituído, ou nos juntamos aos que apontam o dedo acusando a gestão pública de incompetência e corrupção, culpando-os exclusivamente pelas circunstâncias em que se encontra o país? De ambos os lados há razões e sobram argumentos, e qualquer discussão a respeito não parece melhorar em nada a realidade premente e preocupante.

Alheio a conflitos, mas atento à conjuntura e às circunstâncias sociais em que estavam inseridos os cristãos do primeiro século, Paulo exorta Timóteo a orar pelos reis e autoridades. Quer queiramos, quer não, vivemos em uma sociedade civil. Um país onde as decisões e os rumos definidos por seus governantes têm impactos diretos e indiretos em nossa vida cotidiana. O apóstolo sabia disso e entendia que a tranqüilidade e a facilidade para continuar pregando o evangelho atendendo à vontade de Deus de que todos sejam salvos, dependia de uma condução ordenada e calma por parte das lideranças políticas daquela região.

Ao dizer para orar por todos os homens, Paulo pretende que Timóteo não se furte de orar por um ou outro determinado governante, seja ele quem for, pense ele o que pensar, seja ele pagão ou não. Paulo amplia assim a percepção de Timóteo de que a pluralidade da condição humana não pode estreitar-nos em uma visão elitista e exclusivista. O importante era pedir a Deus que lhes garantisse uma condição social mansa e tranqüila, para que pudessem viver piedosamente, adorando e servindo de testemunhas de Deus sempre que oportuno.

Em Romanos, Paulo adverte quanto à importância do respeito e à submissão aos governantes, por Deus investidos de autoridade. Desse modo ele ressalta que Deus se mantém no controle da história, e seja lá de que modo tal autoridade tenha sido estabelecida, se por Deus não lhe fosse dado tal poder, ela não seria autoridade. Como já havia sido dito anteriormente por Jesus a Pilatos:


10 Então, Pilatos o advertiu: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? 11 Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem.”
                      João 19:10-11 - RA

Portanto submissão às autoridades e súplicas a Deus por elas, é agradável ao Senhor. É a busca por dias menos difíceis para o conjunto da nação. A briga política não é nossa vocação direta, mas sim as intercessões, súplicas e ações de graças.

Ora, até quando assistiremos ao noticiário da TV, apenas emitindo indignadas considerações, sem levantar um clamor sincero e responsável a Deus em favor de nosso país? Se o mundo jaz no maligno, o Brasil não está diferente. É nossa responsabilidade suplicar a Deus por nossa nação. Ainda que sejamos peregrinos em terra estranha, como vivia Israel no exílio em Babilônia.


4 Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que eu deportei de Jerusalém para a Babilônia: 5 Edificai casas e habitai nelas; plantai pomares e comei o seu fruto. 6 Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não vos diminuais. 7 Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.
                      Jeremias 29:4-7 – RA

Que Deus nos inspire contínuo sentimento de intercessão por nosso povo e por nossa nação, para dias de paz e mansidão nos sejam concedidos. Para que o evangelho de Jesus possa ser pregado com singeleza de coração, em meio à tolerância e boa vontade.

Um forte abraço...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Humanidade, propósito de Deus

   

Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.”
Gênesis 1:26-28

Eis o ponto alto da narrativa da criação do universo... A criação do homem. A seqüência dos dias parece e efetivamente converge para esse momento. Até então o cenário vinha sendo preparado e Deus via que “era bom”, ou mais apropriadamente viu Deus que estava adequado para seu intento. Após criar a humanidade, porém, Deus diz que “era muito bom”, como se numa tradução mais livre dissesse “agora sim... está perfeito!” Perfeito?

Sim, perfeito. E não apenas porque estava adequado ao propósito, mas também porque correspondeu perfeitamente ao planejado. E isso precisa ser devidamente destacado: Planejado. E esse planejamento implícito na narrativa, convida o leitor a um olhar diferente para a criação; planejamento pressupõe objetivo, finalidade... Planejamento pressupõe propósito.

Enquanto todas as demais cosmogonias contemporâneas (mitos sobre a criação do mundo) lidavam com o surgimento do planeta como um acaso, uma conseqüência a partir de lutas e guerras entre deuses, onde os elementos nada mais eram do que derivações existenciais dos derrotados, Gênesis trata o planeta como criação planejada e propositada de Deus. E mais, o Homem deixa a condição de apenas mais um espécime animal, evoluída ou derivada de uma matéria primordial, para se tornar “imagem e semelhança de Deus”, conceito completamente novo e estranho até mesmo entre os israelitas saídos do Egito.

“Dominai sobre...”, mais que o estabelecimento de uma atribuição da humanidade, define o Homem como subordinador e não como subordinado a qualquer espécie animal, fosse ela do mar, dos céus ou da terra. Isso contrariava também os cultos aos deuses pagãos, normalmente assemelhados a animais domésticos ou selvagens, que habitavam comumente as regiões de adensamento populacional da época. A criação da humanidade narrada em Gênesis, portanto, inaugura uma visão totalmente nova do ser humano e suas possibilidades sobre a terra.

Portanto, o planeta a partir daqui deixa de ser o foco de Gênesis. No processo de concentração do geral para o particular, a narrativa dá seu primeiro salto. Esse Homem será o objeto das manifestações divinas. Deus movimentará o universo em favor desse Homem. Buscará sua proximidade, sua compreensão e seu amor, sem jamais impor a esse mesmo Homem essa condição. Ele será livre até para negá-lo, mas seu Criador jamais deixará de chamar por ele.

A redenção do ser humano é, portanto, um objetivo traçado e trabalhado por Deus desde sempre. A proclamação do seu amor realizador que busca trazer o Homem do caos à ordem, é uma tarefa nossa, que já vivemos tão grande salvação. Pois o amor de Deus nos constrange.

Que o Deus criador dos céus e da terra, inspire-nos desejo ardente e constante de anunciar a salvação que há em Cristo Jesus, apontando esse Homem como objeto de tão grande amor.

Bom treino!

domingo, 18 de janeiro de 2015

A mão estendida de Deus e a rejeição humana



8 A palavra do Senhor veio a Zacarias, dizendo: 9 Assim falara o Senhor dos Exércitos: Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão; 10 não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu próximo. 11 Eles, porém, não quiseram atender e, rebeldes, me deram as costas e ensurdeceram os ouvidos, para que não ouvissem. 12 Sim, fizeram o seu coração duro como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas que nos precederam; daí veio a grande ira do Senhor dos Exércitos.”
                   Zacarias 7:8-12 – RA


13 Passam eles os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura. 14 E são estes os que disseram a Deus: Retira-te de nós! Não desejamos conhecer os teus caminhos. 15 Que é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?”
                   Jó 21:13-15 - RA

“O mundo inteiro jaz no maligno”, afirma o apóstolo João em uma de suas cartas (1 João 5:19 - RA). Ao afirmar isso, João nos apresenta uma realidade não só percebida por ele já no primeiro século da era cristão, mas uma realidade permanente na história da humanidade, comentada por Jó, e reconhecida por Zacarias ao relatar os motivos que levaram o povo de Israel ao cativeiro babilônico; a rejeição a Deus.

É evidente que, se retrocedermos na história da narrativa bíblica, encontraremos outras tantas alusões à rebeldia humana, desde o livro de Gênesis ainda com o primeiro homem Adão, passando pela história dos patriarcas, pelo deserto do Sinai e por tantas outras etapas em que Deus chamou o homem para perto de Si, sendo, porém,  rejeitado e deixado de lado voluntariamente.

Mas esses dois textos acima nos chamam atenção especial, pois se assemelham a duas condições bastante contextualizadas em nossos dias; a corrupção e a prosperidade do erro. Sendo a primeira uma espécie de praga social que se alastra em todos os níveis da sociedade brasileira, e a segunda uma enganosa condição de independência, de quem imagina que a necessidade de Deus, provém da falta de recursos ou vantagens na vida.

É importante notar que o texto de Zacarias começa com uma realidade abominável; a injustiça proposital. O juízo enganoso que favorecia convenientemente à parte na verdade culpada, mediante suborno, amizade ou mesmo favorecimentos que intencionavam barganhas futuras. Fosse pelo que fosse, a verdade e o juízo não eram estabelecidos, devido à corrupção daqueles que deveriam zelar por sua correta aplicação. Além disso, a aplicação da lei era severa e inflexível sempre que o ofensor era alguém comum, ou sem capacidade de trazer qualquer vantagem aos aplicadores da lei. Principalmente àqueles que apresentavam tanto mais necessidade e carência do cuidado das autoridades públicas; viúvas, órfãos, estrangeiros (que não tinham qualquer direito de cidadão) e pobres. A corrupção tornou-se um meio fácil de enriquecimento e prestígio.

Em Jó se evidencia a conseqüência enganosa dessa condição de vida. Acreditando que sua prosperidade advém de seus próprios esforços, ainda que sejam esforços corrompidos, o homem rejeita a proximidade de Deus. Rejeita conhecer os seus caminhos. Sabe que isso lhe causaria prejuízo, pois suas atitudes lhes seriam necessariamente reprovadas. E interessante; não fogem da presença de Deus, mas ordenam que Ele se afaste, numa demonstração clara de se acharem donos legítimos da condição em que se encontram. Sai daqui, não vem estragar o que conseguimos construir por nossas próprias mãos, poderíamos imaginá-los falando a Deus.

O pior e mais flagrante comportamento humano na atualidade, contudo, está no final do versículo quinze do texto de Jó. Que vantagens teremos em servir ao Todo Poderoso? O que ganhamos com isso? A possibilidade de transformar Deus num negócio rentável e promissor, provocou enorme afluência de aproveitadores ao universo do sagrado e do religioso. Com aparente piedade, lideres mal intencionados têm se aproveitado da boa fé de muitos, enganando-lhes e sugando-lhes a vida, por mais simples que suas vidas sejam. Ganham na quantidade.


6 Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. 7 E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.”
                   Marcos 7:6-7 - RA


9 Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; 10 como está escrito: Não há justo, nem um sequer, 11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus; 12 todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. 13 A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, 14 a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; 15 são os seus pés velozes para derramar sangue, 16 nos seus caminhos, há destruição e miséria; 17 desconheceram o caminho da paz.18 Não há temor de Deus diante de seus olhos.”
                   Romanos 3:9-18 - RA

Faz-se importante ressaltar, contudo, que tanto corruptos, ímpios, religiosos enganadores e pretensos enganados, todos fazem peso em um mesmo barco. Sim, porque não há inocentes nesse jogo de barganha com Deus. Os presumivelmente enganados concordam em seus íntimos que, dando algo para Deus, dinheiro, tempo ou aquilo que lhes parecer mais valioso, em troca conseguirão algo que desejam, ou pelo menos manter o que já têm, ainda que pouco, numa imaginária relação de troca, que acreditam ser o que Deus espera deles. Fazem de Deus um mero ídolo a quem se devotam.

Quando multidões acorriam ao deserto em busca de serem batizados por João Batista, que pregava “arrependei-vos”, ele mesmo vendo a grande afluência de gente dize a esses: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? (Lucas 3:7 – RA). Vemos que a rejeição a Deus é muito mais sutil atualmente, do que as declaradas manifestações do passado. Mas não deixam de ser uma rebelião, que O afasta de seus corações. Rejeição essa voluntária, e sem qualquer desculpa, pois Deus sempre se deu e ainda se dá a conhecer abertamente, como diz Paulo no livro de Romanos:


18 Do céu Deus revela a sua ira contra todos os pecados e todas as maldades das pessoas que, por meio das suas más ações, não deixam que os outros conheçam a verdade a respeito de Deus. 19 Deus castiga essas pessoas porque o que se pode conhecer a respeito de Deus está bem claro para elas, pois foi o próprio Deus que lhes mostrou isso. 20 Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma. 21 Eles sabem quem Deus é, mas não lhe dão a glória que ele merece e não lhe são agradecidos. Pelo contrário, os seus pensamentos se tornaram tolos, e a sua mente vazia está coberta de escuridão. 22 Eles dizem que são sábios, mas são tolos. 23 Em vez de adorarem ao Deus imortal, adoram ídolos que se parecem com seres humanos, ou com pássaros, ou com animais de quatro patas, ou com animais que se arrastam pelo chão.”
                   Romanos 1:18-23 - RA

O mundo jaz no maligno, e essa afirmação de João talvez nunca tenha sido tão real como em nossos dias, pois em toda parte se encontra uma rebeldia intrínseca e uma rejeição inequívoca, sejam elas abertamente declaradas ou sutilmente camufladas com aparência de piedosa religiosidade.

Que nossos corações e mentes se mantenham atentos às artimanhas dos que com ardilosos discursos, tentam enganar a muitos. Que com ousadia e conhecimento de Deus, tenhamos condição de levar-lhes a palavra de salvação, que está em Jesus Cristo, nosso redentor, e esperança nossa.

Bom treino a todos!

sábado, 17 de janeiro de 2015

A dieta prescrita por Deus


28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. 29 E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. 30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez. 31 Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia”
                      Gênesis 1:28-31 - RA

Finalizando o primeiro capítulo de Gênesis, chegamos aos versículos em que a narrativa conclui o evento da criação. E nessa conclusão, Deus faz algumas recomendações e observações que trazem historicamente certas dificuldades à interpretes e exegetas. Principalmente ao que se refere aos versículos 29 e 30, onde a tradução literal fala sobre aquilo que ao homem estava autorizado usar para mantimento, ou seja, aquilo que poderia e deveria utilizar para se alimentar.

Em pesquisa pela internet encontrei diversos sites onde grupos ligados a ciência da nutrição, defendem que esses versículos sustentam a existência de uma dieta alimentar, que acreditam ser a dieta perfeita. Essa dieta consiste exclusivamente de vegetais naturais em suas variações de origem e possibilidades. Há defesas consistentes e tecnicamente bem sustentadas, que somadas a argumentos ideológicos convincentes, quase me fizeram optar por abandonar fraldinhas, contra-filés e picanhas. Ainda mais na minha idade, quando começamos a buscar tudo que possa ajudar a retardar o estrago que o tempo e as vicissitudes da vida cotidiana, fazem no corpo e na disposição para o dia-a-dia.

Não obstante as vantagens óbvias que uma alimentação saudável traz à vida de quem pode adotá-la, aliada a uma rotina de vida equilibrada e a hábitos que controlem o estresse da vida moderna, o texto bíblico certamente não tem tal conceito como objeto de sua exposição. Ao contrário, a idéia é apresentar diferenças profundas entre a vida contemporânea que os israelitas tinham à época em que o texto foi escrito, e à vida que anteriormente havia sido planejada para a humanidade, antes da queda pelo pecado.


1 Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. 2 Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues. 3 Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora. 4 Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis. 5 Certamente, requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; de todo animal o requererei, como também da mão do homem, sim, da mão do próximo de cada um requererei a vida do homem. 6 Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem. 7 Mas sede fecundos e multiplicai-vos; povoai a terra e multiplicai-vos nela.”
                      Gênesis 9:1-7 - RA

Russell Crowe - Noah, 2014
É importante perceber que os versículos de 28 a 31 do capítulo 1, se repetem em estrutura, abordagem e objetivo em Gênesis 9:1-7 como podemos observar comparativamente. Mas o mais importante nesses dois textos, é que eles se repetem em circunstâncias semelhantes; o começo e o recomeço de uma geração. O que foi dito a Adão e Eva, é repetido a Noé e sua família. Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a. Algumas versões trazem frutificai.

O que podemos extrair em primeira análise, é que ambas as dietas estão intimamente ligadas a um mandado. Para que a ordem de frutificar e se multiplicar pudesse ser cumprida, era necessário pensar na manutenção do corpo. Somente bem nutridos e com o alimento adequado, seria possível realizar a tarefa de frutificar. Ninguém pode frutificar se não for antes alimentado. E a qualidade de seus frutos dependerá da qualidade e consistência de seu alimento.

No início de tudo, quando o ser humano foi criado, apenas vegetais e frutas seriam necessários para seu sustento, de modo que a ordem de frutificar, poderia ser plenamente realizada com um alimento leve. Mas após o dilúvio, à uma família que necessitaria realizar a mesma tarefa em circunstâncias mais adversas do que Adão e Eva tinham no paraíso, Deus lhes acrescentou na dieta alimentos mais pesados e densos em suas constituições.

Há ainda uma outra questão. Se é verdade que um corpo não frutifica sem o alimento, também não é possível multiplicar sem antes frutificar. Não é sem propósito que ambos os deveres são dispostos em seqüência nos dois textos de Gênesis. “...sede fecundos e multiplicai-vos.”, foi a ordem dada por Deus. - Dêem frutos e então naturalmente multipliquem, poderíamos parafrasear, numa interpretação simples e sem esforço.

As sementes que multiplicam a vinha estão em seus frutos.
Ora, o que vemos em muitos lugares é essa seqüência sendo desrespeitada, ou desconsiderada. Há uma sôfrega busca pela multiplicação sem a devida frutificação, que por sua vez não ocorre por falta de alimento adequado e sólido, consistente, que possa conduzir o corpo a frutificar fortalecido, produzindo frutos no tempo certo.

A dieta espiritual ideal consiste em conhecermos sua palavra e aplicá-la em nosso dia-a-dia, frutificando para o testemunho da salvação, que nos transforma os corações em Cristo. A dieta espiritual eficaz permite fortalecer-nos o espírito, para então multiplicarmos sustentados de fé em fé.

Que nossas refeições sejam completas e plenas de nutrientes. De modo que qualquer fraqueza seja revertida em força e confiança em Deus.

Um forte abraço.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

=> Conhecer o que cremos. Um exercício inexgotável.

         

“antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós,”
                   1 Pedro 3:15 – RA


“Não estudamos para crer; estudamos porque cremos”
                   Anselmo de Cantuária

Um dos mais espetaculares privilégios do cristianismo é a liberdade que temos de acessar, meditar e estudar a Bíblia, crida por nós como a Palavra de Deus. Negada por séculos aos cristãos comuns, sendo restritamente liberada apenas a párocos, professores ou teólogos, a leitura pessoal e individual da Bíblia foi popularizada desde o advento da Reforma Protestante, que entendeu como responsabilidade estendida a cada cristão, aprender de Deus e crescer no seu conhecimento, a partir do exercício da leitura devocional e do estudo piedoso do texto bíblico.

Pelo hábito de consultar a Bíblia, fosse em culto, fosse na leitura pessoal, por anos carregamos esse livro de capa preta embaixo do braço, motivo pelo qual éramos apontados e chamados pejorativamente de “Bíblias”. Uns envergonhavam-se, outros se orgulhavam. Mas na prática tínhamos uma identidade que trazia ao homem natural, por mais que discordasse de nossos modelos e hábitos, a idéia de que o costume de estudar a Bíblia era uma característica nossa. E como era comum sermos abordados, até por chacota, para que elucidássemos, pelo conhecimento bíblico presumido, uma questão religiosa qualquer, ou um princípio ético de difícil compreensão. - Pergunta ali pro crente. Ele deve saber.

O avanço tecnológico nos presenteou com facilidades maravilhosas. E hoje, em vez de carregarmos a Bíblia para todos os lugares, podemos carregar dentro de um só equipamento, não só uma bíblia inteira, mas quantas Bíblias quisermos. De variadas versões, edições comentadas, edições em linguagem coloquial, sistema de busca... As gincanas que fazíamos na adolescência para ver quem abria a Bíblia mais rapidamente, perderam completamente o sentido. Tudo está ao alcance das mãos, a um simples toque dos dedos. Ficou tudo muito mais fácil.

Acontece, porém, que paradoxalmente e não obstante termos à mão todos os recursos para lermos, estudarmos e nos deleitarmos na leitura bíblica, trocamos os textos e os contextos da narrativa bíblica, por consumíveis palavras de ordem, frases feitas, conceitos enxertados, que nenhum contato têm com a piedade, senão o de criar uma aparência superficial de religiosidade, mantendo a maioria de nossa gente numa devoção delirante e num conhecimento raso da vontade e do conhecimento de Deus.


6 Estou muito admirado com vocês, pois estão abandonando tão depressa aquele que os chamou por meio da graça de Cristo e estão aceitando outro evangelho. 7 Na verdade não existe outro evangelho, porém eu falo assim porque há algumas pessoas que estão perturbando vocês, querendo mudar o evangelho de Cristo. 8 Mas, se alguém, mesmo que sejamos nós ou um anjo do céu, anunciar a vocês um evangelho diferente daquele que temos anunciado, que seja amaldiçoado! 9 Pois já dissemos antes e repetimos: se alguém anunciar um evangelho diferente daquele que vocês aceitaram, que essa pessoa seja amaldiçoada! 10 Por acaso eu procuro a aprovação das pessoas? Não! O que eu quero é a aprovação de Deus. Será que agora estou querendo agradar as pessoas? Se estivesse, eu não seria servo de Cristo.”
                   Gálatas 1:6-9 - NTLH

O que buscamos com isso? Onde queremos chegar? O que temos para apresentar ao mundo sobre a esperança que há em nós? E o que é que esperamos? No que é que cremos? O mundo continua sedento por uma mensagem penetrante e transformadora. Que lhes confronte a realidade de uma vida sem a comunhão com Deus, sem a salvação em Cristo Jesus, e sem as consolações do Espírito Santo. A cruz e a ressurreição sumiram de nossa pregação, que se voltou a aproximar a mensagem de um evangelho hedonista, aos hábitos e desejos do homem natural, à imagem e semelhança de suas impiedades, capazes de envolvê-los e cativá-los.

E o que foi que nos trouxe a esse estado de superficialidade? O abandono da leitura da Bíblia e do aprofundamento no entendimento de sua doutrina. Trocamos o efeito do crescimento no conhecimento de Deus, pelas frases de efeito que atrofiam membros, mente, e que alimentam apenas o coração enganoso.


1 Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: 2 prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. 3 Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; 4 e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 5 Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério..”
                   2 Timóteo 4:1-5 - RA

O que tememos ao pregar o evangelho da cruz e da ressurreição? Rejeição? Ora, não é da cruz e da ressurreição que somos testemunhas? Não pode nos assustar a rejeição, assim como não nos deve causar medo a discriminação, o isolamento, a perseguição e a dor por amor a Cristo e por nossa submissão a Deus. Pois fomos chamados para anunciar uma vida plena e abundante na comunhão com Deus, e não uma vida em conta gotas, que se alimenta de pequenas doses de falácias e afirmações fugazes, que não podem levar ninguém à reflexão e ao confronto com sua realidade mais íntima.

Que o Senhor que se empenhou em nos oferecer de si mesmo em sua Palavra e em Cristo, nos inspire a um profundo e inesgotável desejo pelo retorno à Bíblia, para que a carreira que nos está proposta seja enriquecida pelo aprofundamento no conhecimento do Santo.
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