“Sempre ouvi dizer que mais
difícil que saber perder é saber ganhar. Talvez porque se tente sempre embaçar
o brilho da vitória alheia, enaltecendo-se o brio de quem perdeu, seja qual for
a disputa. Temos sempre o impulso de minimizar as perdas, reduzindo a
importância das vitórias. Mas reconheço que há perdas que no final tornam-se
livramentos.”
JLjr
Encerrado o pleito eleitoral, há
diversas lições que precisarão ser destacadas dessa disputa, que foi a mais
acirrada na história recente do país. Lições que precisarão ser absorvidas por
ambos os lados opositores, e por toda a população, quer se sintam vencedores,
quer perdedores. Mas vamos primeiro aos vencedores.
Não houve ampla maioria na decisão do
povo! Não que isso retire a legitimidade do resultado. De forma alguma. Mas por
outro lado o resultado não é uma credencial ou referendo para que os fatos e
circunstâncias que incomodaram pouco menos da metade dos eleitores, seja
mantido como está. Muito pelo contrário. É necessário entendermos que o voto a
favor da presidente Dilma, apesar de todas as denúncias e flagrantes
envolvimentos de membros do governo e de agentes públicos em corrupção de todas
as montas e em diversos setores do Estado, é um voto de confiança de que não só
ela não compactua com tais “maus feitos”, como irá buscar investigar, apurar e
punir os responsáveis pelo mau uso do dinheiro público, e do mandado que
receberam do povo brasileiro.
Que ninguém se engane. Dinheiro não
aceita desaforo. O que significa que, ainda que pouco mais da metade dos vôos
válidos tenha concordado em manter o governo que aí está, esse mesmo governo
terá que rever seus caminhos e diretrizes econômicas num brevíssimo espaço de
tempo, sob o prejuízo de amargar não ter condição de manter os programas
sociais que tanto lhe renderam votos e confiança por conta do eleitorado. O
país está deixando de crescer. Sequer chegaremos esse ano ao chamado
crescimento vegetativo da economia, que seria o crescimento natural pelo aumento
da população economicamente ativa, que ano a ano acessa o cenário nacional. Na
prática isso significará desemprego que, aliado à inflação, se transformará no
pior cenário sócio-econômico que uma nação poderia querer para si mesma.
Estamos na era da comunicação digital.
E a popularização dos acessos e meios de comunicação, amplia o contingente de
pessoas capazes de guardar toda sorte de empenhos e promessas de campanha,
feitas pela candidata vencedora. E o que hoje foi motivo de voto de confiança,
amanhã poderá se tornar uma decepção e uma frustração, que nenhum plano de
marketing conseguirá reverter ou apagar. Investigações das denúncias de
corrupção, reforma política, reforma tributária, PACs e outros programas
sociais e de crescimento, precisarão efetivamente ganhar a pauta desse governo.
Do contrário, todo seu discurso retornará com a força de um bumerangue,
degolando suas pretensões de sucessão presidencial.
Por último, para não gastarmos todos
os assuntos de uma só vez, ao contrário do que disse a presidente reeleita em
seu discurso da vitória, ficamos sim com um país dividido e claramente
dividido. A porção produtiva e geradora do maior volume de riquezas da
federação disse “não” a esse governo. Na prática, isso produzirá uma queda de
braço nas garantias de investimento e de segurança das condições favoráveis a
crédito e produção, diminuindo naturalmente a criação de empregos que, ao
contrário do que bravata o governo, não surgem por decreto, mas dependem de uma
economia aquecida e de um desenvolvimento sustentável.
Vamos torcer para que esse imenso
recado encaminhado pelas urnas, recado de uma outra metade perdedora, não seja
desprezado pela presidente reeleita. Antes, que diante desse clamor por
mudanças, o governo nos surpreenda com medidas efetivas na direção do bem estar
comum a todos nós. Afinal, vencidos ou vencedores nas urnas, somos todos
brasileiros.



