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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Esperar em confiança: O exercício mais profundo da fé

 

Por Jânsen Leiros Jr.

 

 Agostinho de Hipona

"A medida do amor é amar sem medida."

Essa citação de Agostinho reflete a ideia de que, ao viver em Cristo, a vida do cristão é transformada e marcada pelo amor incondicional e pela renovação interior, como citado em 2 Coríntios 5:17.

 Dietrich Bonhoeffer

"Quando Cristo nos chama, Ele nos chama para a morte."

Bonhoeffer, em sua obra O Custo do Discipulado, fala sobre o chamado cristão de carregar a cruz, o que está em sintonia com a ideia de viver com novos propósitos elevados, mesmo enfrentando dificuldades, como discutido no texto.

 John Stott

"A verdadeira fé cristã não é uma fuga do mundo, mas uma entrada no mundo com um novo coração."

Stott enfatiza que, como novas criaturas em Cristo, os cristãos são chamados a viver com novos propósitos no mundo, buscando o bem e a justiça, enquanto caminham com fé e confiança no Senhor.

 J. I. Packer

"A experiência cristã é, em última análise, uma experiência de renovação: uma mudança radical e duradoura na alma que só pode ser explicada pela obra do Espírito Santo."

Esta citação destaca a transformação profunda que ocorre ao viver a novidade de vida em Cristo, refletindo a renovação descrita em 2 Coríntios 5:17.

 Tim Keller

"A esperança cristã não é uma expectativa de que as coisas vão melhorar, mas de que, no final, tudo será restaurado por Deus."

Keller nos lembra que a verdadeira esperança cristã, como descrita em Filipenses 3:13-14, não se baseia em nossas circunstâncias imediatas, mas na promessa futura de redenção e restauração.

  

 Esperar em confiança não é um ato passivo. É antes um dos exercícios mais profundos da fé cristã. A espera, no contexto bíblico, não significa inércia ou resignação, mas uma disposição ativa de entrega, sustentada pela certeza de que Deus cumpre Suas promessas. Essa confiança exige da alma um realinhamento constante, pois a natureza humana tende à ansiedade e ao desejo de controle. No entanto, a verdadeira fé se manifesta quando aprendemos a descansar na soberania divina, mesmo quando o cenário ao redor parece incerto.

A esperança cristã não é um mero anseio indefinido ou um otimismo ingênuo, mas uma âncora firme na fidelidade de Deus. Ao longo das Escrituras, vemos que aqueles que esperaram no Senhor experimentaram não apenas o cumprimento das promessas divinas, mas também um amadurecimento espiritual profundo. Abraão, ao aguardar o cumprimento da promessa de um filho, não apenas viu a fidelidade de Deus se concretizar, mas foi transformado no processo. Davi, mesmo ungido rei, precisou atravessar anos de perseguição e provação antes de ver a realização plena do plano divino para sua vida.

O salmista, ao declarar "Descansa no Senhor e espera nele" (Salmo 37:7), não sugere uma espera angustiada, mas um repouso confiante na providência divina. Esse descanso não é fruto de um conformismo passivo, mas da certeza de que Deus age no tempo certo e de maneira perfeita. O apóstolo Paulo, conhecedor do peso das aflições e responsabilidades da vida, reforça essa postura ao convocar os crentes a uma atitude resoluta: "...Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Filipenses 3:13-14).

A vida cristã não está ancorada no passado, mas projetada para um futuro de crescimento na graça e no conhecimento do Senhor. Esse avanço, contudo, não se dá sem desafios. Há vezes em que Deus nos faz atravessar períodos de espera não como um castigo, mas como um tempo de refinamento e fortalecimento da fé. Na escola da paciência, aprendemos a discernir a vontade de Deus, a confiar em Sua condução e a depender menos de nossas próprias forças.

Assim, esperar em confiança não é simplesmente aguardar que algo aconteça, mas caminhar com fé, mesmo sem enxergar plenamente o que está à frente. É confiar que Deus já está preparando o caminho e moldando o coração para aquilo que Ele mesmo determinou. Essa espera ativa transforma nossa perspectiva, pois nos ensina a ver além das circunstâncias e a nos firmar nas verdades eternas da Palavra.

Viver em Novidade de Vida

A espera confiante no Senhor não apenas nos fortalece na jornada da fé, mas nos conduz a uma transformação profunda. Aquele que confia plenamente em Deus não permanece o mesmo, pois a espera, quando vivida em comunhão com Cristo, produz crescimento, maturidade e renovação. Essa renovação, contudo, não se restringe a momentos isolados da caminhada cristã, mas representa um processo contínuo de restauração e mudança, conduzindo-nos a uma nova realidade: viver em novidade de vida.

Ser nova criatura em Cristo não é apenas uma mudança superficial de comportamento ou hábitos, mas uma transformação essencial da identidade. Implica romper com os grilhões do passado e abraçar uma existência renovada, guiada pelo Espírito Santo. O apóstolo Paulo expressa essa verdade com clareza: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Coríntios 5:17). Essa nova vida não se trata de um mero recomeço, mas de uma recriação — um renascimento espiritual que redefine nossa maneira de pensar, sentir e agir.

A transição do "velho homem" para a nova criatura exige desapego das falhas, culpas e dores do passado. O pecado, tanto quanto os infortúnios que em algum momento nos foram danosos, não apenas nos distancia de Deus, mas também nos aprisiona em um ciclo de insegurança e insatisfação. Muitos carregam consigo um peso invisível, marcado por arrependimentos e lembranças de quedas, mas Cristo nos chama a deixar tudo isso para trás e caminhar em liberdade.

Agostinho de Hipona, antes um homem perdido em seus prazeres e escravo de suas próprias paixões, encontrou na renovação espiritual um novo sentido para sua existência. Sua célebre confissão ressoa ainda hoje como um testemunho da transformação que Cristo opera: "Nos criaste para Ti, e nosso coração está inquieto enquanto não repousa em Ti." A novidade de vida em Cristo não é apenas uma mudança moral, mas a passagem de um estado de inquietação mundana para uma paz que transcende todo entendimento (Filipenses 4:7).

Essa paz, entretanto, não significa ausência de desafios, mas a certeza de que nossa identidade já não está mais fundamentada em nosso passado ou em nossas limitações, mas em Cristo. Viver em novidade de vida é mais do que receber perdão; é ser conduzido a uma existência de propósito e comunhão com Deus, onde a transformação interior se reflete em cada aspecto da caminhada cristã.

Novos Horizontes e Propósitos Elevados

A nova vida em Cristo não apenas nos liberta do peso do passado, mas também nos impulsiona a um futuro repleto de significado. Deus não nos resgata apenas para que vivamos livres do pecado, mas para que trilhemos um caminho de propósito e realização em Sua presença. A vida cristã não é um fim em si mesma, mas uma jornada contínua em direção à plenitude da vontade divina.

O Senhor nos chama a viver com novos propósitos, deixando para trás as incertezas que outrora limitavam nossa visão e abraçando um horizonte de esperança. Jeremias 29:11 nos lembra da promessa divina: "Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais." Essa verdade nos assegura que nossa existência não é um acaso, mas parte de um plano perfeito, onde cada passo está sob o olhar cuidadoso de Deus.

Ao caminharmos nessa direção, nossa mente e coração são transformados. O que antes parecia inalcançável se torna possível pela graça de Deus. Surge um novo vigor, uma renovada disposição para servir, amar e testemunhar a fé que nos sustenta. Esse chamado, entretanto, não significa ausência de dificuldades, mas a certeza de que não trilhamos esse caminho sozinhos.

Dietrich Bonhoeffer, teólogo que enfrentou tempos sombrios e de grande provação, escreveu: "Ser cristão não é um chamado para a fácil felicidade, mas para a disposição de carregar a cruz." No entanto, essa cruz não é um fardo insuportável, mas um privilégio. Pois, ao carregá-la, seguimos os passos de Cristo e experimentamos a comunhão mais profunda com Ele. Na caminhada cristã, cada desafio enfrentado com fé nos fortalece, moldando-nos segundo a vontade do Pai e preparando-nos para os propósitos que Ele deseja cumprir em nossa vida.

Assim, ao olharmos para os novos horizontes que Deus coloca diante de nós, sejamos encorajados a avançar com esperança e determinação, confiando que Aquele que nos chamou é fiel para completar a obra que iniciou em nós (Filipenses 1:6).

O Recomeço Como Um Renascimento

A nova vida em Cristo não é apenas uma mudança de comportamento, mas um renascimento profundo da alma. O passado, com suas falhas, dores e limitações, já não define quem somos. Em Cristo, somos transformados, renovados e capacitados a viver de maneira plena. O apóstolo Paulo descreve essa metamorfose espiritual com palavras de grande impacto: "Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas 2:20). Essa não é apenas uma afirmação teológica, mas uma realidade vivida por aqueles que se rendem à graça de Deus.

Cada dia que despertamos em comunhão com o Senhor é uma nova oportunidade de caminhar em novidade de vida. Não precisamos temer o futuro, nem nos prender às sombras do que ficou para trás. Deus nos chama para um destino maior, para um propósito que transcende nossos limites humanos. Ele nos fortalece, guia e renova nossas forças quando estamos cansados, sustentando-nos em meio às incertezas.

O profeta Isaías proclamou essa promessa eterna: "Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão" (Isaías 40:31). Essa é a certeza que deve encher nossos corações de esperança.

Que possamos abraçar essa jornada com confiança e determinação, sabendo que o Deus que começou a boa obra em nós é fiel para completá-la (Filipenses 1:6). Caminhemos com fé, firmes na esperança que não decepciona, e certos de que cada passo dado em direção a Deus nos conduz a uma vida abundante, repleta de propósito e plenitude.

Que essa verdade ilumine nossos dias e nos impulsione a viver com ousadia e confiança no Senhor! 

quinta-feira, 2 de maio de 2024

A vida pode ter sentido Parte 2 - Frutificando o caráter de Cristo

 Por Jânsen Leiros Jr.

 


“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.”  

Gálatas 5:22 e 23

 

Desde sempre a humanidade busca compreender seu propósito e significado de existência. Entre as várias filosofias e sistemas de crenças, uma ideia persiste: fomos criados para a glória de Deus. Esta concepção transcende culturas e épocas, sendo central para muitas religiões, especialmente o cristianismo. Neste contexto, a formação do caráter de Cristo no crente emerge como uma jornada de descobertas e transformações, onde o indivíduo, dia a dia, se molda à imagem divina para cumprir seu propósito máximo; o ser à semelhança de seu Filho[1].

A formação do caráter de Cristo no crente é um tema central nas Escrituras, refletindo o propósito divino para a humanidade desde os tempos antigos. No Antigo Testamento, encontramos passagens como Gênesis 1:27, que declara que fomos criados à imagem de Deus, e Deuteronômio 10:12, que nos instrui a temer o Senhor, andar em todos os seus caminhos, amá-lo e servi-lo de todo o coração e de toda a alma, enfatizando assim a busca pela semelhança com o caráter divino.

No Novo Testamento, o apóstolo Paulo escreve em Romanos 8:29 sobre a predestinação dos crentes para serem conformes à imagem de Cristo, destacando o processo de transformação espiritual que ocorre na vida do cristão. Além disso, em Efésios 4:22-24, Paulo exorta os crentes a se despojarem do velho homem e a se revestirem do novo homem, criado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade, evidenciando a necessidade de renovação interior para refletir o caráter de Cristo.

O cerne da formação do caráter de Cristo reside na imitação de seus atributos e ensinamentos. Cristo é frequentemente retratado como a encarnação do amor, da bondade, da misericórdia e da justiça divina. Assim, o crente é chamado a refletir essas virtudes em sua própria vida. Este processo não é instantâneo, mas gradual e contínuo, exigindo uma entrega total e uma colaboração ativa com o Espírito Santo. Afinal, nenhuma árvore dá frutos desde o seu nascimento. Mas se alimenta, fortalece, desenvolve e então frutifica.

Uma das características centrais do caráter de Cristo é o amor incondicional. Jesus ensinou-nos o amor, amando incondicionalmente não apenas aqueles que lhes eram afáveis, mas também os seus inimigos atrozes[2]. Este amor transcende barreiras e preconceitos, alcançando a todos sem distinção. Ao praticar o amor abnegado, o crente não apenas reflete a natureza divina, mas também promove a reconciliação e a unidade na comunidade, sendo-lhe promotor da paz.

Reforçando nosso argumento, Calvino enfatiza que o amor de Deus é fonte do amor humano e argumentou que os cristãos são capacitados pelo Espírito Santo a amar incondicionalmente, a exemplo do que fez o Senhor. E não somente ele, pois N. T. Wright, um dos principais estudiosos do Novo Testamento, explora profundamente o tema do amor de Deus, destacando o amor sacrificial de Cristo como o modelo supremo de amor incondicional. Ele argumenta que os cristãos devem imitar esse amor cotidianamente.

Além do amor, outro aspecto bastante relevante é a humildade; traço primordial do caráter de Cristo. Ele, sendo o próprio Filho Unigênito de Deus[3], escolheu se humilhar, servindo aos outros e submetendo-se à vontade do Pai[4]. Da mesma forma, o crente é chamado a renunciar ao orgulho e à arrogância, adotando uma postura de humildade e serviço. Ao fazê-lo, ele segue o exemplo de Cristo e testemunha a verdadeira grandeza que se encontra na simplicidade e na entrega.

A humildade é uma virtude que envolve reconhecer nossas limitações, defeitos e dependência de Deus, bem como valorizar os outros e estar disposto a servi-los sem esperar reconhecimento ou recompensa. Ela se manifesta em uma atitude de submissão voluntária e respeito em relação a Deus e aos outros, e muitas vezes está associada a características como modéstia, gentileza, simplicidade e desprendimento. E embora a humildade possa se manifestar de maneiras diferentes em diferentes contextos e situações de vida, ela é uma virtude que transcende a condição econômica, social ou indisposição de se fazer evidente. É uma postura do coração que independe de circunstâncias externas.

Outro aspecto crucial na formação do caráter de Cristo é a paciência e a perseverança. Jesus enfrentou inúmeras adversidades e contratempos durante seu ministério terreno, mas jamais desistiu de sua missão. Da mesma forma, o crente é chamado a manter a fé e a esperança mesmo diante das tribulações, confiando que Deus está trabalhando todas as coisas para o bem daqueles que o amam[5]. Esta perseverança fortalece o caráter e a fé do crente, capacitando-o a enfrentar os desafios da vida com confiança e determinação.

Além dessas virtudes, a formação do caráter de Cristo também implica na renovação da mente e na transformação dos padrões de pensamento e comportamento[6]. O apóstolo Paulo exorta os crentes a serem renovados em sua mente, deixando para trás os velhos hábitos e assumindo uma nova identidade em Cristo. Esta renovação interior é um processo contínuo, que ocorre através da meditação na Palavra de Deus, da oração e do companheirismo cristão.

Jesus Cristo é o exemplo máximo de amor, humildade, paciência e perseverança, como visto em passagens como João 13:34-35, onde Ele ensina sobre o mandamento do amor mútuo, e Mateus 20:28, onde Ele declara que veio para servir e não para ser servido. A imitação de Cristo é fundamental para a formação do caráter do crente, conforme destacado em 1 João 2:6, que nos instrui a andar como Ele andou.

A formação do caráter de Cristo no crente é uma jornada de crescimento espiritual e pessoal, onde o indivíduo se torna cada vez mais semelhante ao seu Salvador. Tendo o caráter de Cristo como sentido da vida, o crente reflete os atributos divinos em sua própria existência, testemunhando ao mundo o poder transformador do Evangelho. Que abracemos esta disposição com fé e determinação, confiando que aquele que começou a boa obra em nós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus[7].

 



[1] Romanos 8:29

[2] Lucas 23:34

[3] João 3:16

[4] Filipenses 2:5-7; Mateus 26:39

[5] Romanos 8:28

[6] Romanos 12:1-2

[7] Filipenses 1:6

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A arte da obra em nós



“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.”
                      Filipenses 1:6 – RA

De todas as expressões da criatividade humana e sua capacidade de realização, a mais contundente e propícia ao encanto e admiração é a arte. Desde a escrita, passando pela música, teatro e as artes plásticas, todas nascem da concepção do artista, que antevê seu objeto acabado, e o forma passo a passo para ser aquilo que concebeu, passeando pelo prazer da produção e se satisfazendo tanto com a preparação quanto com o resultado final.

Sim, o artista tem prazer na elaboração e execução de sua arte. E não pode ser diferente, pois sem prazer e satisfação não se sustenta a inspiração que o leva à produção. Ele enxerga sempre além do que os demais e se delicia em sua visão extra do que pode se transformar uma ou muitas simples folhas de papel em branco, uma tela vazia, um monte de argila, um tronco de árvore, restos de pau e pedras, ou mesmo ferros retorcidos, que a ninguém mais interessaria, senão para ser jogado fora ou se muito, vendido ao ferro-velho.

O prazer do artista se revela em seu entusiasmo. Entusiasmar-se significa estar imerso em Deus, inspirado, tomado de sua capacidade realizadora. Uma obra de arte não se executa e jamais se completa admirável e encantadora sem entusiasmo. Os museus do mundo inteiro desfilam inúmeras obras que, por eras e sobrevivendo às diferentes tendências da forma e conteúdo, causam as mais variadas reações em seus admiradores, como se tivessem acabado de ficar prontas. O entusiasmo criativo é transcendente.

Bem entendida em suas fases desde a conversão, a vida cristã se assemelha em muito a produção de uma obra de arte. Chegamos ao Reino como um material bruto, sem forma, envolto no caos de nossas existências. Aos poucos, no cotidiano de nosso relacionamento com Deus, o seu Espírito vai-nos moldando e dando a forma e a aparência que de antemão pretendeu que tivéssemos; a imagem de seu Filho.


“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”
                      Romanos 8:29 - RA

Essa imagem de Cristo em nós é moldada por Deus dia-a-dia. Seja o material de que origem ou qualidade for. Porque a qualidade da obra está exatamente na criação do improvável, do inesperado. O artista vê o que não vemos e realiza o que sequer imaginávamos. Quantas vezes olhamos para trás na história de nossa caminhada cristã, e percebemos o quanto já mudamos em nossas atitudes e predileções, trocando até mesmo nossas reações e impulsos mais instintivos, por outros renovados em suas naturezas.


“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
                      2 Coríntios 5:17 - RA


 “10 a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; 11 sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria, 12 dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz.”
                      Colossenses 1:10-12 - RA

Portanto somos obra de Deus. Feitura sua. Somos chamados vasos porque feitos artesanalmente como o oleiro fazia seus vasos. Temos propositada utilidade, e cada vaso Seu atende a um propósito. A beleza da obra está no quanto ela atende do propósito para o qual foi criada. Nós fomos chamados para caminharmos em novidade de vida, em uma ética renovada porque refeita por Deus em nossa natureza, e renovadora porque capaz de inspirar e contagiar o mundo.

Assim, deixemos que o Espírito do Senhor realize em nós a obra transformadora a que se pretendeu. Sejamos vasos úteis e crescentemente capacitados para cumprir o propósito de nossa salvação. A Deus toda a Glória.

Bom treino a todos!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ano novo vida bem mais. Quer dizer...


         

“O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol.”
                      Eclesiaste 1:9 - RA

Mais um ano chega ao fim, e com ele a rotineira onda de reflexão coletiva, onde balanços pessoais são proclamados, novos propósitos são definidos, e esperança de melhores oportunidades e condições são mutuamente desejadas. Uns por retribuição, mas outros com sinceros desejos e boa vontade.

É natural e não há nada de errado com isso. A vida é um suceder de ciclos, e desejar que um novo ciclo possa trazer melhores notícias e renovadas alegrias, é um reverdejar de esperanças que faz muito bem ao senso comum e à vida em sociedade. Em termos práticos, porém, nada há de novo debaixo do sol.

A verdade é que um ano novo surge a cada doze meses, como cada novo mês surge a cada trinta dias, e um novo dia a cada amanhecer. Portanto novas oportunidades nos são apresentadas dia-a-dia, no cotidiano de nossas vidas e lutas diárias, constantemente. Mas o que esperamos, no fundo, é que por alguma circunstância mágica, novas condições se alinhem ou realinhem para nos oferecer uma vida melhor, como se a simples mudança de ciclo nos presenteasse com mais prósperas possibilidades.

O que ninguém gosta muito de ler e ouvir, o que obviamente é muitíssimo impopular, é que nossa virada de vida não depende de circunstâncias, mas de atitudes e decisões, para as quais não precisamos necessariamente aguardar o último dia de dezembro para tomá-las. Cada instante vivido é um ciclo a ser virado e cada momento de reflexão, uma oportunidade de renovação de possibilidades e decisões. Um mundo novo pode surgir a cada piscar de olhos. Dependerá sempre do que fazemos com cada oportunidade.

Diferentes e muitos setores da vida são influenciados por nossas decisões. Mas quero me deter naquilo que permeia tudo e toda nossa existência; nossa compreensão de Deus e nossa relação com Ele.

Nada seria mais impopular do que falar de Deus num cenário social como o nosso, onde a simples menção desse vocábulo tende a soar constrangedor, tanto para quem ouve, quanto para quem fala. Ao primeiro porque achará sempre inapropriado e incômodo o tema, e para o segundo porque sofrerá inevitável discriminação velada e cruel. Tudo porque atravessamos um período de ateísmo disfarçado e camuflado de esoterismo e misticismo, onde na prática Deus não passa de uma energia cósmica conveniente, que aplaca a culpa e nos insere numa passiva existência religiosa, incapaz de nos provocar qualquer reflexão mais contundente, ou de exigir um posicionamento comprometedor e contundente.

Por mais que se relute, porém, somos todos diariamente provocados por Deus a uma decisão, por mais sutil que ela possa ser, ou mais despercebida que ela possa se dar. A cada instante em que Sua existência e nossa existência se esbarram pelas esquinas de nossa caminhada, escolhemos ficar com Ele ou lhe darmos as costas. Isso acontece com uma freqüência tão absurdamente grande, que Paulo cita em sua segunda carta aos coríntios; “eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação”. É a vida o instante aceitável. São nossos dias o tempo oportuno.

Assim, se alguém deseja renovadas oportunidades, novas possibilidades e outras condições, deve começar por fazer-se novo e renovado, mudando a própria mente, e renovando as próprias emoções, vivendo uma relação nova e reconciliada com o Senhor de todas as coisas. Não para que assim tenha uma vida melhor, com novas condições e possibilidades, como numa barganha oportunista. Mas para que viva melhor, incondicionalmente, com a confiança e a esperança que produz a paz e o descanso em Deus.


1 Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus. 2 Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele.”
                      Romanos 12:1-2 – NTLH

Que nos novos dias pelos quais avançam a vida e os nossos devaneios, Deus nos inspire a uma vida de comunhão real, plena e revigorante ao seu lado.

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