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segunda-feira, 28 de julho de 2014

=> Reconciliação, um caminho para a Paz



“Só o fato de existirem questões entre vocês já mostra que vocês estão falhando completamente. Não seria melhor agüentar a injustiça? Não seria melhor ficar com o prejuízo?”                                                                1 Coríntios 6:7


“O primeiro em pedir desculpas é o mais valente. O primeiro em perdoar é o mais forte. O primeiro em esquecer é o mais feliz.”
Papa Francisco
Estamos atravessando dias difíceis de grande perplexidade. O conflito em Gaza entre palestinos e israelenses, e o conflito separatista na Ucrânia, têm produzido horror e comoção em todo o mundo civilizado. Atônitos, acompanhamos com muita apreensão os ataques de ambas as partes, imaginando as possíveis conseqüências de um eventual agravamento desses conflitos.
É claro que em ambos os lados de uma guerra há quem defenda as próprias razões, culpando compulsoriamente o lado adversário pelo estopim do conflito. Defendem convictamente suas lógicas, e acreditam ou se forçam a acreditar que o direito ou a verdade que os motivaram ao confronto, os garantirá vitória exemplar e definitiva, que virá como a demonstração cabal de que estavam certos... Sempre estivemos certos.
É bem verdade que conflitos armados como esses, são a manifestação extrema de interesses que se antagonizaram em algum momento. São também a conseqüência desastrosa do fracasso de toda e qualquer tentativa diplomática em evitar a guerra. Atitudes conciliatórias e apoio a acordos de paz não faltaram. Assistimos a diversas declarações de chefes de estados de diversas nações influentes, na tentativa de fazerem recuar em suas iminentes rotas de colisão. Infelizmente nada conseguiu evitar que vidas estejam sendo ceifadas por tiros, bombas e mísseis.
Para piorar a barbárie, civis vêem sendo os principais atingidos direta ou indiretamente nesses conflitos. Mais de mil e duzentos mortos em Gaza somando-se as baixas de ambos os lados. Um avião transportando cientistas foi abatido, quando sobrevoava a zona de guerra entre o exército ucraniano e os rebeldes separatistas. Mais de 200 pessoas estavam naquela aeronave. E os danos á humanidade certamente não pararão por aí.
Ora, guardadas as devidas proporções, não é isso mesmo que vivenciamos em nosso dia-a-dia, em cenários reduzidos e com atores muito mais próximos de nós? A intolerância vem provocando constantes impasses e inevitáveis conflitos, em relações as mais variadas. Seja entre casais, vizinhos, familiares, torcedores... A imposição vem se tornando demonstração aceitável de superioridade, nos mais diversos segmentos e níveis da sociedade. Ninguém quer ceder. Ninguém aceita parecer mais fraco por reconhecer seus erros ou por aquiescer com a falha alheia.
Se você pede desculpas é um fraco. Se você perdoa, é um bobão... Um banana! Caso se atreva a esquecer uma afronta qualquer, um prejuízo causado por terceiros, você é apontado na rua como um otário. O enfrentamento é a atitude enaltecida e esperada pela maioria. A afronta a reação legítima. O acerto de contas é o caminho para se sentir com a alma lavada. Não vemos isso todos os dias? Não reagimos nós mesmos assim, consciente ou instintivamente? Nada mais animal e equivocadamente aceito do que o revide. Ser inflexível não tem sido entendido como firmeza de caráter, personalidade forte ou ainda determinação? Nada mais valorizado nas grandes corporações, do que a competitividade e o espírito combativo.
Essa disputa diuturna promove rixas, intrigas, mentiras, traições, ofensas... Agredidos e agressores se enfrentam e se opõem com a dureza de quem não se permite recuar um só centímetro de suas posições. Fazem acaloradas defesas de suas pretensas razões, e não se oferecem, nem que por hipótese, o benefício da dúvida, quanto a legitimidade de suas motivações. Ninguém quer ceder.
Por intolerância, imposições mútuas e mágoas, torcedores se agridem na entrada dos estádios, cônjuges se matam e famílias inteiras se dissolvem por não conseguirem superar feridas que teimam em não cicatrizar. Ninguém quer dar um passo atrás. Não há quem cruze esse rio de traumas ou pule o muro do orgulho ferido. Há até quem se explique: Eu até perdôo, mas esquecer não esqueço não... É "ruin" hein!
É verdade. É ruim. Muito ruim mesmo. Porque a reconciliação é o caminho mais direto e talvez o único para a paz. Negligenciá-la é se lançar numa aventura que ninguém pode prever o final. Por outro lado, conciliar interesses, condescender com a fraqueza alheia, e sublimar a vingança, pode produzir maravilhosos sentimentos de completude e realização. Desculpas podem desviar a ira do ofendido. O perdão libertará o coração indulgente. E apagar voluntariamente da memória a ofensa sofrida, renovará o espírito e recuperará a alegria de viver.
Vivemos dizendo que o mundo precisa de paz. Mas antes, para isso, precisamos promover a paz no cantinho onde vivemos. Em casa, na vizinhança, na empresa em que trabalhamos. Na rua, no trânsito... Quem sabe se somados, pequenos e legítimos ambientes de paz, nos levem à tão sonhada paz mundial. Vamos tentar?

domingo, 22 de junho de 2014

=> Em meio a desavenças uma guerra pela Paz

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”
                                      Mateus 5:9 - KJA


Ser um pacificador não é ser apenas contrário à guerra, mas ser alguém que busca evitá-la ao máximo e a qualquer preço. Em um país como o nosso, porém, onde a população é naturalmente “da paz”, o termo pacificador parece distante demais e foge ao contexto cotidiano. Por isso seu sentido primordial pode escapar aos menos atentos ou cair em lugar comum.

Até porque, não é somente a guerra que interrompe a paz. Contendas, agressões verbais ou físicas, também podem e efetivamente roubam nossa paz, tanto quanto a violência urbana, as frustrações e as contrariedades. E no mundo moderno, vivemos rodeados por pessoas e circunstâncias, que nos perturbam a paz como que por encomenda.

Ser um pacificador, porém, não é ser um “banana”, um covarde que foge do embate. Muito menos o é quem evita o confronto por pura conveniência, seja pelo medo da dor ou do prejuízo inevitável.

Pacificar é um exercício, e não a “saída honrosa” de quem na verdade se percebe fraco, ou em desvantagem para um enfrentamento. Pacificar é optar consciente e positivamente pela conciliação, ainda que a força e a razão nos sejam favoráveis. Diz o pacificador a si mesmo: Tenho força para vencer. Todos os motivos para contender... Mas prefiro pacificar. A paz surge da atitude e não das circunstâncias.

Pacificador é aquele que enfrenta a si mesmo em favor da paz
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