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segunda-feira, 16 de março de 2015

Marraio, Feridô Sou Rei





“Marraio era um menino sagaz, o melhor das rodadas de bolas de gude, aquele cujo peão batia forte e tirava os oponentes das pequenas arenas circunscritas no chão de terra batida, era aquele que corria lépido    sem ofegar, orgulhava-se de ser o Marraio, apelido herdado dos jogos de gudes coloridas. Pois, ao disputarem quem jogaria a gude para determinar a ordem dos jogadores na disputa, sempre antes dos demais ouvia-se seu brado valente: “Marraio, Feridô Sou Rei!” e assim tirava vantagem de ser o ultimo a se lançar  rumo   a linha do destino dos jogadores, o  que  na  grande  maioria  das  vezes,  lhe  dava  uma  grande   vantagem, chegando a desanimar os oponentes"
                      Alex Huche - http://marraiosourei.blogspot.com.br/2013/01/marraio-ferido-sou-rei.html

A frase na foto acima, é uma legítima manifestação democrática da opinião pessoal, ou representativa do pensamento e sentimento de um determinado grupo da sociedade brasileira. Foi dita pelo ex-presidente Lula, então líder do PT e candidato iminente à presidência da república, cargo ao qual aliás, concorreu livremente e representando seu partido por algumas eleições.

A frase é precisa em demonstrar o quanto o sentimento de indignação pode inquietar e perturbar o bem estar de quem se sente desrespeitado, pelo que se entende serem desmandos, incompetências, improbidades e tudo o mais que se quiser incluir na lista. Segundo deixava claro em sua frase, o estado de coisas a que se referia era mais do que necessário para legitimar um impeachment ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, comparando com outros casos em que o legítimo ocupante da presidência foi destituído ou renunciou, diante de flagrantes casos de improbidade.

Pois bem, nesses últimos dias, diante do flagrante estado de aparelhamento do estado brasileiro, do repugnante estado de corrupção sem precedente na máquina pública, e do total descontrole da economia nacional, ao primeiro grito de "Fora Dilma", o Partido dos Trabalhadores e seus representantes saíram em defesa de suas posições, tratando a reação dos que se sentem prejudicados como oportunismo e golpismo. O que mudou? Agora eles são vidraça e não a pedra.

Eles podem, os outros não. Com essa gente é sempre assim. - Apaga luz! Sempre que as circunstâncias não lhes são favoráveis... - Apaga luz!. Lembram? Era como se gritava no jogo de bola de gude, normalmente quando se estava perdendo e não se queria ficar sem as bolas que estavam casadas no triângulo. Era só gritar, pegar as bolas na marra e sair correndo para casa. Dois pesos e duas medidas, farinha pouca meu pirão primeiro... Diria minha avó, desfilando seu rosário de provérbios que cantarolava sempre que queria passar alguma lição. Vó, lição aprendida!

A verdade é que com impeachment ou não, o que está evidente é o imenso descontentamento da população com a condução do governo. E olha que eu sequer sou favorável ao "Fora Dilma"! Muito pelo contrário, creio que eles agora amargam e devem mesmo amargar o prejuízo político de quem manipulou o processo eleitoral, fabricando medo e divisões na população, para se manterem no poder a qualquer custo. Está aí. Ele (o poder) é todo de vocês... Aliás, comem o pão que eles próprios amassaram, mofaram e estragaram. Fartem-se!!!

O único problema é que tal prejuízo não lhes é imposto sem que doa em nós, cidadãos que esperamos do governo um mínimo de competência para fazer funcionar o país. Doe em todos. Eleitores ou não do PT. Sim, porque não há quem se livre dos prejuízos. Estão todos no mesmo barco, mesmo que não entendam assim ou não enxerguem o abismo para onde navega a embarcação.

Não quero gastar tempo falando sobre isso. Não que não goste de política. Não que não considere importante manifestar meu descontentamento também. Mas qualquer movimentação que vise ajustar o que estamos passando, passa necessariamente por uma vontade política, que não vejo em ninguém, senão naqueles que não têm qualquer poder, ou só o terão daqui a quatro anos. Sim, porque não me enganem e nem se enganem; nossos parlamentares não estão nem um tantinho sequer constrangidos com as manifestações de centenas de milhares ou milhões de cidadãos indignados. "Uma gente que só sabe reclamar...". E isso independe de partido. Depende apenas e tão somente de interesses. Todos têm os seus. Até mesmo a oposição só se manifesta por interesse e conveniência. Ou alguém aqui imagina que eles sejam probos parlamentares, lutando legitimamente pelos interesses da população, inocentes e enganados pela malvada situação?

Enfim. Já disse que não quero me prolongar nesse texto, manifesto, desabafo... sei lá que nome dou. Dou é graças a Deus pelo clima de tranqüilidade com que as manifestações transcorreram ao longo do dia. Dou graças a Deus porque as ameaças de violentas batalhas não terem passado de ameaças. Dou graças a Deus porque apesar de toda a indignação legítima e revoltante, temos um povo em sua maioria pacífica. Ou estariam os confrontados apenas sem moral para enfrentarem a massa indignada?

É cedo, muito cedo para dizer no que darão as manifestações de hoje. As de quase dois anos atrás não deram em nada. Ou melhor, deram sim. Demonstraram que a população é extremamente confiante  e paciente. Mas desconfio que a confiança e a paciência estejam se esgotando.

Um forte abraço...

domingo, 18 de janeiro de 2015

A mão estendida de Deus e a rejeição humana



8 A palavra do Senhor veio a Zacarias, dizendo: 9 Assim falara o Senhor dos Exércitos: Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão; 10 não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu próximo. 11 Eles, porém, não quiseram atender e, rebeldes, me deram as costas e ensurdeceram os ouvidos, para que não ouvissem. 12 Sim, fizeram o seu coração duro como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas que nos precederam; daí veio a grande ira do Senhor dos Exércitos.”
                   Zacarias 7:8-12 – RA


13 Passam eles os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura. 14 E são estes os que disseram a Deus: Retira-te de nós! Não desejamos conhecer os teus caminhos. 15 Que é o Todo-Poderoso, para que nós o sirvamos? E que nos aproveitará que lhe façamos orações?”
                   Jó 21:13-15 - RA

“O mundo inteiro jaz no maligno”, afirma o apóstolo João em uma de suas cartas (1 João 5:19 - RA). Ao afirmar isso, João nos apresenta uma realidade não só percebida por ele já no primeiro século da era cristão, mas uma realidade permanente na história da humanidade, comentada por Jó, e reconhecida por Zacarias ao relatar os motivos que levaram o povo de Israel ao cativeiro babilônico; a rejeição a Deus.

É evidente que, se retrocedermos na história da narrativa bíblica, encontraremos outras tantas alusões à rebeldia humana, desde o livro de Gênesis ainda com o primeiro homem Adão, passando pela história dos patriarcas, pelo deserto do Sinai e por tantas outras etapas em que Deus chamou o homem para perto de Si, sendo, porém,  rejeitado e deixado de lado voluntariamente.

Mas esses dois textos acima nos chamam atenção especial, pois se assemelham a duas condições bastante contextualizadas em nossos dias; a corrupção e a prosperidade do erro. Sendo a primeira uma espécie de praga social que se alastra em todos os níveis da sociedade brasileira, e a segunda uma enganosa condição de independência, de quem imagina que a necessidade de Deus, provém da falta de recursos ou vantagens na vida.

É importante notar que o texto de Zacarias começa com uma realidade abominável; a injustiça proposital. O juízo enganoso que favorecia convenientemente à parte na verdade culpada, mediante suborno, amizade ou mesmo favorecimentos que intencionavam barganhas futuras. Fosse pelo que fosse, a verdade e o juízo não eram estabelecidos, devido à corrupção daqueles que deveriam zelar por sua correta aplicação. Além disso, a aplicação da lei era severa e inflexível sempre que o ofensor era alguém comum, ou sem capacidade de trazer qualquer vantagem aos aplicadores da lei. Principalmente àqueles que apresentavam tanto mais necessidade e carência do cuidado das autoridades públicas; viúvas, órfãos, estrangeiros (que não tinham qualquer direito de cidadão) e pobres. A corrupção tornou-se um meio fácil de enriquecimento e prestígio.

Em Jó se evidencia a conseqüência enganosa dessa condição de vida. Acreditando que sua prosperidade advém de seus próprios esforços, ainda que sejam esforços corrompidos, o homem rejeita a proximidade de Deus. Rejeita conhecer os seus caminhos. Sabe que isso lhe causaria prejuízo, pois suas atitudes lhes seriam necessariamente reprovadas. E interessante; não fogem da presença de Deus, mas ordenam que Ele se afaste, numa demonstração clara de se acharem donos legítimos da condição em que se encontram. Sai daqui, não vem estragar o que conseguimos construir por nossas próprias mãos, poderíamos imaginá-los falando a Deus.

O pior e mais flagrante comportamento humano na atualidade, contudo, está no final do versículo quinze do texto de Jó. Que vantagens teremos em servir ao Todo Poderoso? O que ganhamos com isso? A possibilidade de transformar Deus num negócio rentável e promissor, provocou enorme afluência de aproveitadores ao universo do sagrado e do religioso. Com aparente piedade, lideres mal intencionados têm se aproveitado da boa fé de muitos, enganando-lhes e sugando-lhes a vida, por mais simples que suas vidas sejam. Ganham na quantidade.


6 Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. 7 E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.”
                   Marcos 7:6-7 - RA


9 Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; 10 como está escrito: Não há justo, nem um sequer, 11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus; 12 todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. 13 A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, 14 a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; 15 são os seus pés velozes para derramar sangue, 16 nos seus caminhos, há destruição e miséria; 17 desconheceram o caminho da paz.18 Não há temor de Deus diante de seus olhos.”
                   Romanos 3:9-18 - RA

Faz-se importante ressaltar, contudo, que tanto corruptos, ímpios, religiosos enganadores e pretensos enganados, todos fazem peso em um mesmo barco. Sim, porque não há inocentes nesse jogo de barganha com Deus. Os presumivelmente enganados concordam em seus íntimos que, dando algo para Deus, dinheiro, tempo ou aquilo que lhes parecer mais valioso, em troca conseguirão algo que desejam, ou pelo menos manter o que já têm, ainda que pouco, numa imaginária relação de troca, que acreditam ser o que Deus espera deles. Fazem de Deus um mero ídolo a quem se devotam.

Quando multidões acorriam ao deserto em busca de serem batizados por João Batista, que pregava “arrependei-vos”, ele mesmo vendo a grande afluência de gente dize a esses: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? (Lucas 3:7 – RA). Vemos que a rejeição a Deus é muito mais sutil atualmente, do que as declaradas manifestações do passado. Mas não deixam de ser uma rebelião, que O afasta de seus corações. Rejeição essa voluntária, e sem qualquer desculpa, pois Deus sempre se deu e ainda se dá a conhecer abertamente, como diz Paulo no livro de Romanos:


18 Do céu Deus revela a sua ira contra todos os pecados e todas as maldades das pessoas que, por meio das suas más ações, não deixam que os outros conheçam a verdade a respeito de Deus. 19 Deus castiga essas pessoas porque o que se pode conhecer a respeito de Deus está bem claro para elas, pois foi o próprio Deus que lhes mostrou isso. 20 Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma. 21 Eles sabem quem Deus é, mas não lhe dão a glória que ele merece e não lhe são agradecidos. Pelo contrário, os seus pensamentos se tornaram tolos, e a sua mente vazia está coberta de escuridão. 22 Eles dizem que são sábios, mas são tolos. 23 Em vez de adorarem ao Deus imortal, adoram ídolos que se parecem com seres humanos, ou com pássaros, ou com animais de quatro patas, ou com animais que se arrastam pelo chão.”
                   Romanos 1:18-23 - RA

O mundo jaz no maligno, e essa afirmação de João talvez nunca tenha sido tão real como em nossos dias, pois em toda parte se encontra uma rebeldia intrínseca e uma rejeição inequívoca, sejam elas abertamente declaradas ou sutilmente camufladas com aparência de piedosa religiosidade.

Que nossos corações e mentes se mantenham atentos às artimanhas dos que com ardilosos discursos, tentam enganar a muitos. Que com ousadia e conhecimento de Deus, tenhamos condição de levar-lhes a palavra de salvação, que está em Jesus Cristo, nosso redentor, e esperança nossa.

Bom treino a todos!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

=> Desculpe. Foi engano... Não, não foi!


         

1 Quisera eu me suportásseis um pouco mais na minha loucura. Suportai-me, pois. 2 Porque zelo por vós com zelo de Deus; visto que vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo. 3 Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo.”
                      2 Coríntios 11:3 – RA


14 para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. 15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.”
                      Efésios 4:14 - RA

Ainda falando em pecado, por mais impopular que o assunto possa ser, é importante ressaltar seu caráter sutil e sedutor. Sim, porque ninguém imagine que ele avance sobre nós declaradamente perverso, ou flagrantemente mau, assustando mais do que envolvendo. Se assim fosse, não só seria mais fácil resistir a ele, como seria simples identificá-lo e bani-lo de nossos impulsos, evitá-lo em nossas atitudes e reações, ou mesmo matá-lo por completo em nossas vidas.

Do grego hamartía, pecado numa tradução simples significa errar o alvo ou enganar-se. Isso determina o caráter ilusório e sedutor do erro; o engano. E para que eu seja enganado, é preciso haver uma artimanha de quem me engana, ainda que eu mesmo me engane, iludindo-me propositalmente, para enxergar apenas aquilo que me convém ou me satisfaz, aplacando-me a consciência para que eu realize, ou experimente o que bem entenda ou pretenda, sem culpa antecipada ou impeditiva.


13 Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. 14 Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. 15 Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.”
                      Tiago 1:13-15 - RA


13 Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”
                      Jeremias 17:9 - RA

Sendo assim, pecado está ligado ao que é mau, e de modo algum pode ser considerado um engano acidental ou equivoco sem intenção. Esses não teriam sua origem na intenção do erro, mas no ato involuntário e por involuntário, inimputáveis. Porém o pecado nasce da vontade deliberada, ainda que camuflada por desculpas bem elaboradas e racionalmente sustentadas. O Senhor sonda os corações.

Ora, o sentido de engano e de erro do alvo, amplia em muito o conceito do que é pecado, pois se o conceito universal acostumou-se a entender como pecado apenas aquilo que infringe os conhecidos dez mandamentos listados na lei judaica, o conceito etimológico implícito na palavra grega, determina que pecado é tudo o que não acerta o alvo, ou tudo em que há engano.

Dito isso, fica claro que, quando se vive um evangelho diferente daquele pregado pelos apóstolos de Jesus, recheado de hedonismos e conveniências frívolas, peca-se. Ao viver esses evangelhos camuflados de superficialidade piedosa, peca-se. Ao atender muito mais a vontade pessoal e a satisfação própria, do que o desejo de Deus de que sejamos santos, vivendo para o que é reto e justo, peca-se.  Se não se vive fazendo o bem, dedicando-se a toda boa obra, peca-se. Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, peca.

Onde pois a artimanha? Talvez me perguntassem. E eu responderia: em acreditar exatamente no que nos é conveniente. Naquilo que aplaca a consciência, manipula a culpa, e deixa livre para viver tudo o que sempre se viveu, desde que se entremeiem os dias com palavras de ordem, frivolidades piedosas e afirmações vazias. Essas sempre incapazes de levar alguém ao arrependimento, ou ao conhecimento de Deus e de seu Filho. Sim, pois tais evangelhos recompensam uma espiritualidade rasa, a dedicação aparente, e uma religiosidade de fachada, jamais construindo individualmente cristãos fortalecidos pela Palavra, e sustentados em santidade pela ação de seu Espírito.

Precisamos estar sempre atentos às armadilhas do coração. A meditação na Palavra e a oração são os caminhos para a santidade e o conhecimento de Deus. Nessa estrada sempre sofremos ataques, pois todo treino requer confronto. Se não por um oponente, por nossos próprios limites. E isso nos faz crescer. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre (intenção falsa, fingidos ou hipócritas), limpai o coração. (Tiago 4:7 e 8).

Que o Senhor nos capacite por seu Espírito, a discernir nossas intenções e motivações, para não nos enganarmos a nós mesmos, e não errarmos o alvo de seu propósito em nós.

Bom treino!
Atualizado em Abril de 2020

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

X Por mim trocamos tudo sempre





“Nunca gostei de militância política, nem de expor minhas idéias sobre o assunto. Isso não significa que não as tenha. Apenas me reservo o direito de não me gastar em discussões que não me levam a nada. Exerço minha cidadania sim. Mas deixo para discutir política na urna. Prefiro que ela fale por mim.”
                                                                                       JLjr

Tenho presenciado e acompanhado com profundo interesse, alguns embates políticos entre militantes ou simpatizantes dos candidatos que disputarão o segundo turno. E a julgar pela defesa que vêem realizando de seus respectivos candidatos, quase sou levado a votar nos dois simultaneamente...

Sim, porque os argumentos das duas partes são contundentes e repletos de “verdades” insofismáveis, ora sobre as virtudes de seus candidatos, ora sobre os defeitos dos adversários, quase que sacralizando seus postulantes a um estado de superioridade óbvia e inatacável. Sou tentado a propor ao TSE que, a exemplo de Salomão, reparta a presidência da república e os governos dos estados igualmente entre os candidatos, dividindo também cargos comissionados, verbas orçamentárias, alianças políticas e todas as demais benesses que a máquina pública oferece a seus ocupantes. Assim ambos teriam a possibilidade de realizar tudo de bom e de fantástico que prometem ao eleitor. Imaginem o bem que fariam à população! O assunto é sério? Sim claro. Mas quem disse que estou brincando? Pois tenho certeza que nenhum dos postulantes terá a nobreza de, por pretenderem o melhor para a nação, deixar a vaga para o outro.

É claro que, também de ambos os lados há excessos. Os dois igualmente tentam desastradamente acusar o outro, com números, estatísticas, inverdades implantadas, e vai longa a lista de despautérios. Se um lado reclama do abandono da educação, o outro reclama da saúde e das filas nos hospitais. Um se defende com programas disso ou daquilo, e o outro menciona antigas conquistas que já ficaram no passado e não correspondem à realidade. Feitos que talvez nem mesmo se aplicassem na atualidade e nas circunstâncias internacionais.

Particularmente não me interesso por esse confronto de estatísticas e acusações, que se alternam em causa própria. Porque se um governo fez bem uma determinada coisa, o outro ampliou ou fez um pouco mais em outra área, penso que cumpriram seus papéis históricos e pertinentes. Sim, porque creio convictamente que os diferentes e sucessíveis governos, em uma democracia segura e bem consolidada, acabam por realizar uma agenda que efetive e consolide soluções de sejam aplicáveis e de extrema adequação ao contexto em que estão inseridos. Acredito em agendas renovadas e metas que independam de partidos.

Desconfio de certa forma, que o maior incômodo do contingente de eleitores que votaram contra o PT, falo mais precisamente da disputa pela presidência da república, não seja necessariamente com a Presidente Dilma, mas com o que chamam de aparelhamento do estado pelo Partido dos Trabalhadores. Segundo alegam, o PT tem um plano de poder, que visa perpetuar o partido no Palácio do Planalto por muitos anos seguidos. Pode ser, mas para o que pretendo expor aqui, vou preferir manter-me no campo das hipóteses. Em contra partida, os Tucanos são acusados de entreguistas vendidos aos interesses do capital estrangeiro, que não defendem as minorias, nem lutam pela inclusão social dos pobres. Também pode ser. Outra vez ficarei com as hipóteses. A verdade nesses casos e nesse momento pouco importa. Ninguém votará num ou noutro candidato baseado em qualquer que seja a verdade, mas sim pela sensação que suas respectivas campanhas lhes causarem. No fundo, para mim, pouco importa uma ou outra hipótese. Porque não busco e nem espero de nenhum dos dois candidatos e nem mesmo de seus partidos de origem, qualquer coisa que os acuse ou promova virtuosos, de modo a fazer-lhes repulsivos ou atrativos ao meu voto. Para mim, ambos são bons... Ambos são ruins. Como diria minha avó “tudo bom e nada presta”.

Como acredito plenamente na democracia como o sistema de governo mais adequado e justo, e por essa razão sou profundamente plural em minhas convicções e tolerâncias, creio honestamente que o revezamento das tendências e dos modelos de planejamento e gestão governamental, traz profundas e proveitosas vantagens para nós, eleitores e ainda não eleitores do Brasil. Acredito salutar e propício a renovação da administração pública de tempos em tempos. As novidades e as grandes idéias surgem sempre quando alguém pensa em realizar diferente, algo que vem sendo mecanicamente realizado igualmente por anos. Além disso, evitando a perenidade de comissionados em funções influentes, diminuímos as possibilidades de corrupção pelas facilidades e seguranças sedimentadas. Renovando a máquina pública, dificultamos o seu uso para proveito próprio. Assim, como não vejo com bons olhos a manutenção do PSDB por tantos anos à frente do governo em São Paulo, também não acredito que a permanência do PT na presidência da república seja vantajosa para o Brasil.

Mas que fique claro! Essa é uma visão particular, individual e intransferível. É uma percepção singular e que não imponho nem mesmo em casa, onde graças a Deus não há unanimidade. A única coisa que defendo inegociável no exercício de minha cidadania, é o direito que meus filhos têm, como qualquer outro cidadão, de pensarem diferente de mim, com suas percepções por ângulos próprios, mantidos em comum apenas os valores que devem formar-lhes o caráter.

Por isso mantenho minha crença e opção pelo modelo democrático. Penso eu, pensa você... Todos pensam. Cada qual com suas escolhas e crenças. E vivemos todos com os mesmo deveres e direitos, convivendo em harmonia, embora as divergências. Não é mais fácil assim?
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