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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Sabê-lo bom não faz mal


Por Jânsen Leiros Jr.


"Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo"
João 16:33 - JFA

"Eu vos preveni sobre esses acontecimentos para que em mim tenhais paz. Neste mundo sofrereis tribulações; mas tende fé e coragem! Eu venci o mundo"
João 16:33 - KJA

Questionar sobre a vida é um direito legítimo do ser humano. O pensamento é um exercício que nos faz ser diferentes de zebra e samambaias. De modo que, pensar e questionar são atos legítimos em qualquer pessoa, qualquer que seja o mote de tal questionamento, qualquer que seja o caminho de um determinado pensamento.

Por isso quando a bondade de Deus é questionada, não há qualquer sacrilégio nisso, pois que exercício genuíno do potencial humano de pensar. É preciso ter em mente, contudo, que sendo a bondade um atributo, ela é ou ela não é, não podendo haver em parte. Sim, porque se Deus é bom, ou Ele é TODO bem, ou não é bem algum, ainda que pudesse ser às vezes ou na maioria das vezes bom. Porque se há espaço para algum mal, então ele poderá ser todo mal. Mas afinal, Deus é bom ou mal?

Gosto da comparação que assisti outro dia, de dois momentos extremos da vida humana; nascimento e morte. É muito normal ao longo da vida sermos comunicados com toda a alegria, do nascimento de filhos de amigos, filhos de parentes, ou mesmo dos nossos filhos. Apreensivos pelas circunstâncias e pelos riscos envolvidos, ao sermos informados de que correu tudo bem, dizemos: Graças a Deus. E por vezes vi pais e parentes dizerem, com seus rebentos no colo como Deus é bom!

Mas também ao longo da vida vivemos circunstâncias de dor e de grande tristeza, onde nos questionamos por que Deus deixou isso ou aquilo acontecer. Por que permitiu a morte desse ou daquele ente querido... Por que Deus quis que morresse o meu filho? Falo como quem sofreu tal perda e que ainda dói e irá doer pra sempre.

Ora, Deus é bom ou é mal? Ou será que lhe atribuo bom ou mal conforme as circunstâncias que eu vivo? Ou será que Ele é bom ou é mal, dependendo do que me agrada ou me aborrece? Afinal, Deus é bom ou é mal? Ou nós é que vivemos como crianças birrentas, que variam de humor conforme as próprias conveniências?

Nunca houve qualquer promessa de "blindagem" da vida, por Deus ser bom ou ser mal. Muito pelo contrário, a Bíblia afirma que a chuva cai sobre justos e injustos, declarando em alto e bom som que Deus não faz acepção de pessoas. De modo que todos passamos tudo pelo que um ser humano normal pode passar ao longo de uma vida comum; vitórias e derrotas, ganhos e perdas, nascimentos e mortes... No mundo tereis aflições, disse o próprio Jesus. Viver é inquietante e aflitivo. Mas tenham bom ânimo, pois eu venci o mundo.

Essa é uma promessa, e uma promessa redentora. Haverá dor, surgirão dificuldades, os desertos aparecerão ao longo da caminhada; Ele estará sempre ao nosso lado. Sabendo isso, diria o apóstolo Paulo, que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus. É a providência cuidando de seus propósitos e de nosso bem.

Dói? Eu sei que dói. E dói em mim, como em tantos outros dói, em tantas outras situações que além da dor, nos deixam confusos e perplexos. Mas tenha bom ânimo, pois eu venci o mundo, diz Jesus aos nossos corações.

Essa sim é a vida real. Vida que se alterna em fatos agradáveis e desagradáveis. Em circunstâncias fáceis e difíceis de serem superadas. Momentos bons ou ruins de serem vividos. Mas Jesus não deixou de saber de nada disso. Viveu tudo, sendo homem experimentado em dores, para em tudo poder nos conduzir à salvação, por meio de sua própria dor. Ora, se o próprio Deus fez questão de pela dor nos conceder a graça de nossa salvação, como não estaria conosco e em nós, nos momentos em que a caminhada fica difícil, e o fôlego para continuar quase nos falta?

Tem bom ânimo. Tenha fé e coragem. Em Cristo nossa momentânea tribulação, se tornará peso de alegria, pois todas as lágrimas serão enxugadas, e todas as explicações nos serão dadas; ou não. Porque também não farão qualquer diferença. O que importa? A sua fé te salvou.


Que o Senhor conforte o seu coração em tudo, fortalecendo sua fé, para que a prova da Sua bondade e graça, se traduza em um coração grato e devotado, ao que Deus jamais resiste. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Quem disse que seria fácil?

Por Jânsen Leiros Jr.


"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado."
Romanos 5:1-5 - RA
        
Venho acompanhando com enorme apreensão a disseminada ideologia do sofrimento zero, que promete uma vida terrena intocável e distante, das dificuldades e apreensões que naturalmente atingem o ser humano ao longo de sua vida.

Diferentemente do que apregoam tendenciosamente algumas correntes ditas evangélicas, tal ideologia se confronta com a própria mensagem de Jesus aos seus discípulos pouco antes de sua prisão; no mundo tereis aflições. Ora, se o próprio Jesus se ocupou em alertar seus discípulos sobre essa condição inevitável em que a vida os envolveria, que mágica pretensamente resultante de algum exercício espiritual, nos protegeria das tribulações da vida?

Com o intuito de atrair seguidores, os profetas da vida próspera envolvem as multidões em um maniqueísmo de lógica profana do toma lá dá cá. “Se eu fizer isso, logo isso não acontecerá comigo.”. Essa lógica diabólica de recompensas em série, acaba por causar neurose e culpa, nos mais sinceros e devotados seguidores desses falsos profetas.

No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo. Jesus não diz que a vida será fácil. Antes afirma as aflições e convida tende bom ânimo. Isso é um convite à confiança pela convicção. Á esperança de que Ele passou por aflições e venceu, venceremos nós também.

Já o apóstolo Paulo aprofunda a análise da tribulação, e lhe dá um sentido existencial em nossa vida; a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ele tinha sob perspectiva que o crente experimentado estaria preparado para toda sorte de circunstância que precisasse viver. E esse é o oportuno e final sentido da tribulação. A experimentação, o amadurecimento espiritual que nos leva a deixar a condição de meninos, e entrarmos na fase adulta da fé cristã.

"O mundo inteiro jaz no Maligno" (1 Jo. 5:19), mas "não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal" (Jo. 17:15). Esse é o exercício da fé em que devemos gastar nossos dias, sem murmurar, mas confiantes de que sairemos do vale da sombra da morte, sempre melhores e mais preparados do que entramos.

Que Deus nos conceda ânimo firme e constante, diante das aflições pela vida a fora.


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